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A experiência é o que conta

Já falei aqui algumas vezes sobre hábitos de consumo ou, em outras palavras, de gastação de dinheiro, numa análise mais profunda. Então quem leu isso sabe que eu sou do tipo que se deixa levar pela boa aparência das coisas e por uma coisa que acho muito intrigante e que acho bastante válida, que é a tal da experiência do consumidor, do usuário ou do que seja.

Muitos devem torcer o nariz e achar isso meio banal. “É claro, pô, todo mundo gosta de um bom atendimento!” – Mas é aí que está a diferença entre um bom atendimento e uma experiência rica entre consumidor e loja.

Vejam só, na sexta-feira eu saí cedo da aula e fui a um bar com sinuca perto da Ufes com uns colegas de curso. O lugar não é dos mais bonitos, nem toca boa música, mas tudo bem, tem cerveja e mesas de sinuca por um preço médio comparado aos outros bares da região. Entretanto, nem bebemos cerveja e só jogamos umas duas partidas e fomos embora.

Beleza, fui em direção ao ponto de ônibus para ir para casa, mas eis que passei bem em frente à nova loja da Redetronic. Pensei: “por quê não?” e entrei, afinal nunca tinha ido lá antes. De fora da loja mal dá para ver o que há la dentro, por causa das persianas que cobrem toda a vitrine.

Logo que entrei fui recepcionado por um funcionário que me perguntou se precisava de ajuda. Respondi que estava apenas querendo conhecer a loja. Este então respondeu o seguinte:

- Tudo bem, tem Guitar Hero e café logo alí, se quiser. Fique a vontade.

Há ainda mais que isso: um spot wi-fi livre para quem estiver com laptop e alguns computadores para acessar a internet.

Nem preciso dizer que fiquei um bom tempo me divertindo no Guitar Hero, né? Aprendi a tocar com a bendita da guitarrinha foda, toquei Ruby do Kaiser Chiefs, Bulls on Parade do Rage Against the Machine e ainda fiz um versus com um guri que conheci lá, tocando Sweet Child O’ Mine. É claro que eu ganhei.

Antes de entrar na loja eu não tinha intenção de comprar nada, para falar a verdade, mas depois de vários cafézinhos, lembrei que tava precisando comprar uma adaptadorzinho molex pro meu HD Sata. Comprei. Foi caro? Não, não foi. Foi até mais barato do que na concorrência.

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Agora vejam aí, em qual dessas situações a experiência com o consumidor foi melhor. Relevem qualquer tipo de predileção por uma das coisas. Eu gosto tanto de cerveja gelada, mulher e sinuca quanto de gadgets, videogame e internet de graça. Dá pra notar uma diferença grande no comportamento entre duas situações, não dá?

Meu mouse agora está com o botão de rolagem bichado. Onde será o primeiro lugar que vou pensar em procurar um novo?

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Outra coisa que me chamou a atenção foi no fim-de-semana que passei na casa da minha mãe. Perto da casa dela abriu um supermercado novo e diferente dos que se vê por aqui.

Pra ser direto ao assunto, a porcaria do supermercado parece com aqueles de filmes de Hollywood: estacionamento enorme na frente, pé direito altíssimo e preços relativamente abaixo da média. Pra completar, o nome do lugar é Ok. Isso mesmo, Supermercado Ok, mais americano impossível.

Por dentro não é dos mais bonitos e modernos, mas tem umas prateleiras altas pra caralho que só aquelas empilhadeiras para alcançar o topo. Os carrinhos de compra são maiores, mais largos, justamente para as pessoas comprarem mais. No quesito variedade de produtos o lugar não é tão bom assim. Raramente se encontra artigos de luxo, só o basicão mesmo.

A semelhança é com esses estabelecimentos que vendem à varejo, tipo Sam’s Club e Makro, com a diferença que esse faz a venda comum e aí é outra experiência de consumo.

E você, que tipo de consumidor é? Opine aí.

Comprar é mais do que o velho hábito de gastar dinheiro

Tal qual comer e fazer sexo, comprar é um ato prazeroso para nós seres humanos primitivos da sociedade capitalista ocidental. Ao longo da história, comprar deixou de ser apenas um ato necessário para aquisição de mercadorias essenciais para sobrevivência para algo além da justa exibição de status e classe social, graças ao chamado consumismo.

Consumismo, resumidamente, é a força primordial que rege os diversos mundos paralelos chamados Shopping Centers. Nesses mundos existem basicamente três personagens distintos atuantes: as lojas, com seus produtos ou serviços a venda, sejam eles caros ou baratos, bons ou ruins, necessários ou totalmente dispensáveis; os consumidores, com seus anseios, desejos, inveja, luxúria e outros adjetivos que se convém chamar de pecados capitais; e por último o personagem transitório, abstrato, raro e periodicamente instável: o dinheiro.

Alguns matemáticos já tentaram construir equações que explicassem satisfatoriamente essa complexa relação entre os indivíduos desse sistema, mas somente conseguiram chegar a duas definições:

  1. Dinheiro, quando sob posse de consumidores do sexo feminino torna-se bastante volátil e pode assumir valores negativos crescentes rapidamente, quando expostos a liquidações, regidos por cálculos chamados de juros ao mês que tendem ao infinito.
  2. Dinheiro, quando sob posse de consumidores do sexo masculino tende a se transformar numa substância líquida gelada de cor dourada. Pode demorar um pouco mais para ser gasto mas ao final do mês acaba assumindo um valor negativo maior do que o das mulheres.

Entretanto, nesse mundo desregrado da gastação de dinheiro, no qual o salário ganho não é lá grandes coisas, comprar está se tornando cada vez mais difícil. Hoje em dia temos mais opções de produtos do que nunca, de marcas diferentes, com características que vão desde o básico até o ultra-maxi-power-sofisticado. Entram ai dezenas de fatores decisivos para um compra de um objeto por vezes supérfluo.

O que fazer então para fugir dos momentos de dúvida, dentro de uma loja ou num site, com o cartão de crédito na mão, pronto para ter boa parte do seu salário debitado? Bem, a sorte é que hoje temos acesso a informação e com ela podemos pesquisar antes de comprar alguma coisa que estamos em dúvida. Há milhares de blogues por aí, muitos deles especializados num tipo de produto.

Além disso, temos amigos e pessoas que nos recomendam coisas, certo? Assim como há os tradicionais geeks de gadgets, de computadores, de câmeras digitais e etc, temos também os geeks de roupas, os geeks de cervejas, os geeks de restaurantes, os geeks de carros e tudo o mais que pudermos pensar!

Essa forma de marketing é sem dúvida uma das mais efetivas e confiáveis, visto que não há toda a formalidade e distância entre a empresa e você e eu, consumidores. Outro dia mesmo eu estava no boteco com a galera do Blogcamp, quando vi a mochila do Dulcetti. Porra, mochila fodassa pra laptop que ele havia comprado numa loja da Le Postiche, com compartimento para o que você pudesse imaginar e tudo mais, mas por um preço salgado demais para mim.

Eu podia ter esquecido desse assunto mas não foi o caso. Nesse sábado eu fui ao shopping aqui perto de casa e subindo a escada rolante, dei de cara com uma loja da mesma marca da mochila do Dulcetti[bb]. Como desde aquele dia já estava pensando em comprar uma bolsa pra mim, não pensei duas vezes e fui entrando na loja.

Tava meio com pressa porque tinha combinado de ir no cinema com uns amigos, mas acabei encontrando uma mochila que parecia compatível comigo, não muito grande nem muito cara. Chorei um desconto de 5% e levei sem nem pensar muito e até mesmo sem ter pesquisado em outra loja. Só depois que fui me dar conta da cagada que poderia ter acontecido, mas não podia reclamar mais naquela hora.

E não havia do que reclamar mesmo. Se depender das recomendações que recebi, a mochila parece que me servirá muito bem, principalmente com relação a durabilidade, que na maioria das vezes deixa a desejar.

É bom dar valor ao seu dinheiro e o melhor jeito de fazer isso, quando se quer comprar algo, é pesquisando, pedindo opiniões, buscando em sites especializados e etc. Já cheguei ao ponto de até fazer uma busca no Google usando o WAP do meu celular para saber o preço de um perfume, antes de comprá-lo.

Agora eu entendo o que as mulheres pensam ao rodar um shopping cinco vezes até comprar o vestido que elas haviam visto logo na primeira loja. Ah, mulheres, tão espertas! ;)

E você, já comprou alguma coisa por recomendação de algum amigo? Já recomendou alguma coisa para alguém? Diga aí nos comentários.