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Numa festa à fantasia de designers, uma coisa que vai totalmente contra aos meus princípios é a idéia de ter que alugar uma fantasia. Porra, 15 contos numa fantasia dessas toscas. O que eu faço nesse curso se nem a minha própria fantasia eu consigo confeccionar?
Óbvio que eu não tenho a moral de confeccionar a parada, pelo menos na última hora. O máximo que podia fazer era pegar algumas roupas aqui em casa e tava bom demais.
Peguei o chapéu que meu pai comprou em Maceió e tentei todas as combinações e permutações possíveis para encontrar uma roupa legal. Não estava dando certo. De repente, vejo escondida no meu guarda-roupas uma camisa preta, com um cheiro característico de mofo, que eu não usava há anos. Joguei tudo no chão e fui em busca das outras peças, e já que não tem foto, vai a descrição: sapato caramelo de bico quadrado do meu cunhado, calça jeans – daquelas pega franga -, do meu pai, camisa preta, gravata preta, paletó verde também do meu pai e um óculos Rayban bem oitentista que alguém pouco esperto esqueceu aqui. Estava aí feita a minha fantasia, em menos de 15 minutos.
- Mas, porra, Saulo! Que diabos de fantasia é essa?
Bem, foi exatamente isso que a cara de espanto da minha irmã e os meus amigos perguntaram. Na verdade, pode ser interpretada de várias maneiras, mas à medida que eu fui ingerindo álcool, eu ia mudando. Fiquei mais conhecido como Designer em fim de carreira. Não me perguntem da onde eu tirei isso, eu estava muito bêbado para ter uma resposta coerente.
Cheguei na Ufes relativamente cedo, então dirigindo-me ao alojamento do pessoal que veio do Rio de Janeiro, vejo em meio às sobras uma figura bíblica: sim, era Jesus. Comecei a conversar com o Senhor. Ele segurava na mão direita um pacote de salgadinhos Torcida e estava com o braço esquerdo enfaixado. Eram sinais da ressurreição do nosso salvador. Com uma voz cambaleante, Ele diz baixinho:
- Ae, bródi, vamo dar uma volta ae, fumar um baseado?
Para o orgulho da minha mãe, que sempre me ensinou os ensinamentos da bíblia, fiz o que ela sempre me disse: aceitei Jesus.
Outro dia desses lembrei de outro pequeno caso de amor que tive na minha inocente infância. O nome dela era Mayza (ou Maysa, não sei), ela era do tipo de menina pop da sala, era moreninha e, pros padrões da época, bem gostozinha.
Certa vez, numa quadrilha da 7ª série da qual eu participei – se eu falasse alguma vez que não iria participar da quadrilha, as meninas mais seriam capazes até de jogar fora suas pastas com milhares de fotos do Nick do Backstreet Boys, recortadas da Capricho, para me convencerem a participar daquela palhaçada toda -, havia um “passo” da dança na qual os rapazes deveriam abandonar o seu par e escolher outra senhorita para uma dança no centro da roda.
Aí que está a jogada: a menina poderia aceitar ou não o convite, sinalizando de acordo com a escolha. Caso ela dissesse que não, todas as pessoas que estivessem em volta deveriam falar em uníssono “GELO”, humilhando assim o infeliz para o resto de sua vida.
A minha intenção era convidar a Mayza para a dança. Com certeza, se ela aceitasse o convite, eu iria ganhar uma moral imensa da galera, já que os caras que se achavam os malandrões da turma não estavam participando. Minha moral seria tão alta, que eu não seria mais o último a ser chamado no time de futsal da sala.
Andei até o centro da roda, olhei vesgamente para a menina e fui confiante da vitória.
Dei alguns passos até me aproximar da garota e peguei-a pela mão esquerda. Como se ela estivesse sendo tocada por um Aidético que estivesse com a mão cheia de machucados, com sangue escorrendo entre os dedos, ela puxou a mão e virou de costas numa fração de segundos, caracterizando o sinal para o “gelo”.
Neste momento, não somente as pessoas que estavam em volta, como também toda a escola falou à plenos pulmões: geeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeelo. Aquilo realmente me gelou por um instante.
Com a derrota estampada na cara, com o ego ferido e com a moral perante os colegas abalada, dei meia volta e voltei ao meu lugar.
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Adendo: hoje saiu o resultado da UFES. Minha irmã passou em 5ª colocação para Ciências Sociais.
Que orgulho! :)
